Sinfônica Heliópolis celebra o centenário do frevo com Spok e Antônio Nóbrega
Pela primeira vez em São Paulo, a série MPB&Jazz, criada e dirigida por Wagner Tiso com patrocínio da Petrobras, foi um verdadeiro espetáculo. No palco do teatro Sesc Pinheiros, no dia 21 de agosto, Sinfônica Heliópolis, Spok, Tiso, Carlos Prazeres e Antônio Nóbrega celebraram o Centenário do Frevo, comemorado no dia 9 de fevereiro.
Após um mês estudando as partituras, a Sinfônica Heliópolis se encontrou com os artistas para quatro dias seguidos de ensaios, o suficiente para apresentação “frever”, como diria o animado saxofonista Spok, diretor da SpokFrevo Orquestra. Ele começou o concerto contando o surgimento do frevo e suas curiosidades. “Nas ruas distantes e becos escondidos da velha Recife, nasceu o frevo”, declamou Spok. O músico deu uma verdadeira aula: com seu jeito descontraído e até poético, apresentou diversos estilos, como maxixe e polca, que originaram o frevo, tudo isso acompanhado pela Sinfônica Heliópolis sob a batuta de Carlos Prazeres, regente assistente da Orquestra Petrobras Sinfônica.
“Vocês conhecem o frevo-abafo?”, perguntou Spok para a platéia. O músico não exitou em explicar. “O frevo-abafo é conhecido em Recife por abafar o som de outro bloco, é como se fosse uma disputa para ver quem toca mais alto, nessa brincadeira, a ordem é não se preocupar com um som bonito e perfeito, é o momento em que os músicos podem desafinar”, explicou o pernambucano com um sorriso no rosto. Mais uma vez, Spok fala com a platéia e pede licença aos professores e maestros ao tocar o frevo-abafo, o pública aprova e o grupo dos metais se diverte com a farra.
Músicos convidados do Rio de Janeiro se juntaram à Sinfônica, entre eles um grupo de safoxonistas, baterista, guitarrista, percussionista (a famosa "cozinha" conhecida entre os músicos). Depois de Spok, o multiinstrumentista e dançarino pernambucano, Antônio Nóbrega, entra em cena com seu violino e chama ao palco o maestro Wagner Tiso. Nóbrega é um show à parte. Suas expressões corporais e faciais são difíceis de caírem no esquecimento. Ele dançou até se "escangotar", como afirmou ao microfone, ofegante.
Flaira Ferro, passista de 17 anos, ao subir ao palco foi só magia, ao som do animado frevo Cocada. Enquanto isso, Nóbrega não ficou parado e os dois improvisaram alguns passos. O espetáculo contou também com a participação de Luciana Alves que cantou “É de fazer chorar”, de Luiz Bandeira, com Nóbrega e Spok. Outro momento que superou as expectativas foram as improvisações dos músicos da Sinfônica: o contrabaixista Alex Dias, o cellista Fábio Machado, o flautista Rodrigo Carneiro, o trompetista Paulo de Viveiro, o trompista Fábio Ogata, o oboísta Renato Sales e os violinistas Karen Crippa e Pedro Almeida foram os escolhidos para improvisar durante o tradicional frevo "Vassourinhas" - instante de puro talento e muita descontração.
A estréia da série MPB&Jazz foi um sucesso em São Paulo e a próxima edição será no dia 13 de novembro com Sinfônica Heliópolis, Edu Lobo e Zizi Possi como convidados!
Confira as fotos dos ensaios no Instituto Baccarelli:
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