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Mais espaços e direitos de ser mulher em sua essência

No mês de março, apresentamos histórias que representam a força da mulher no Instituto Baccarelli

A constante luta por direitos e condições iguais, sem distinção por gênero:
essa é a principal premissa do Dia Internacional da Mulher, oficializado pela ONU em 1970 e celebrado desde 1911. A necessidade da data surgiu em protestos e movimentos operários femininos em Nova York, nos EUA, em 1908. Desde então, a celebração reúne uma série de acontecimentos duros e marcantes para alcançar conquistas como o direito ao voto, melhorias econômicas e políticas para as mulheres.


O Dia 8 de março foi escolhido quando, em 1917, em meio a Primeira Guerra Mundial, aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra Czar Nicolau II, por conta das más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra. O protesto, conhecido como Pão e Paz, consagrou a data, mesmo sendo oficializada apenas anos depois.


O Dia Internacional da Mulher se tornou uma data para celebrar cada avanço
das mulheres e protestar por mais representatividade na sociedade, na política e na economia
.

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As mulheres no Instituto Baccarelli

O Instituto Baccarelli apoia e incentiva que mais espaços sejam ocupados por mulheres, e com isso ajuda a construir um mundo mais igualitário para as gerações que estão por vir. Atualmente, 63 mulheres fazem parte do quadro de 105 colaboradores da instituição.
Elas preenchem 100% das equipes de comunicação, secretaria, produção, serviço social e transporte, com o Buscarelli, além de ser mais de 41% do corpo docente. Cada uma delas é peça fundamental para manter todo o atendimento de excelência oferecido gratuitamente aos nossos alunos e suas famílias.

Por isso, no mês da mulher, vamos ressaltar três grandes representantes das mulheres que fazem parte do Instituto Baccarelli
em diversas áreas de atuação.

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A seguir, você pode conferir a história de Maíra Ferreira, regente do Coral Heliópolis
e do Coral Jovem da Escola Municipal de Música de São Paulo, que também ocupa
o cargo de regente titular do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo.

Conheça também um pouco mais sobre a Daniela Correia, coordenadora do acervo
do Instituto Baccarelli, que fez parte da primeira turma de alunos e construiu um belo
e esforçado caminho na área musical.


A percussionista Maryana Cavalcanti, professora do Instituto Baccarelli e das Fábricas de Cultura, também conta sobre seus 19 anos de trajetória no Instituto Baccarelli
e os desafios que enfrentam no meio da música que tem predominância masculina.


As histórias revelam importantes trajetórias e os desafios que cada uma enfrentou,
e enfrenta, por ser mulher. Conheça mais e deixe-se inspirar com esses
depoimentos incríveis.

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Maíra Ferreira
Regente do Coral Jovem
do Instituto Baccarelli

Em meio à reestruturação e ampliação das atividades com as novas turmas de canto coral, em 2010, Maíra entrou
para o Instituto e logo assumiu a frente do então chamado coral iniciante, quando ainda estava finalizando os seus estudos
na Unicamp. Com 34 anos, é formada em regência por esta faculdade e fez mestrado em regência coral nos Estados Unidos pela Butler University, sendo orientada pelo maestro Henry Leck, referência no meio que traz metodologia seguida
pelo Instituto Baccarelli. 


Hoje, além de ser regente do Coral Jovem do Instituto Baccarelli, é regente de coro na Escola Municipal de Música
e regente titular do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo, ocupando cargos de liderança nas áreas artística
e administrativa.

"Ser mulher e regente para mim é normal por ter como referência o que eu vivo e o que eu faço no meu trabalho. Mas, reconheço que é um desafio por diversas razões."

“Em 2010, muitos coros infantis foram formados e, nessa época, uns seis ou sete regentes foram contratados. Eu comecei com um grupo e depois fiquei responsável por dois. Era uma época muito gostosa, com muitos coros. A gente fazia reuniões com uns 8 regentes, então existia muita troca de experiências. Quase dois anos depois, eu precisei me desligar por conta do mestrado fora do Brasil e em 2015
a Silmara, coordenadora de canto coral do Instituto Baccarelli, me chamou para assumir o Coral Jovem, que eu sempre tive muita admiração.


Ser mulher e regente para mim é normal por ter como referência o que eu vivo
e o que eu faço no meu trabalho. Mas, reconheço que é um desafio por diversas razões. Hoje, existem várias mulheres que ocupam esse espaço que foi conquistado, algumas vezes, às duras penas por mulheres que vieram antes. Também acho que essa profissão é muito relacionada a figura masculina, salvo
a de coral que é vista de forma mais “feminina”. Apesar de ser um fato e perceber esse olhar, principalmente, na época da faculdade, eu não acredito nisso.

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Há uns cinco anos eu vejo isso mudando, mas, antigamente, eu percebia que a mulher precisava sempre se provar ou, ainda, se “masculinizar” na forma de se vestir, falar e se colocar como fria para ser reconhecida como firme. Então, vejo que, para as mulheres que vieram antes, existiu esse desafio que eu não sinto passar por ser quem eu sou tanto
no pódio quanto pessoalmente enquanto mulher.

Em diversas áreas da música as mulheres precisam ter uma postura para ser respeitadas. Com cantoras isso acontece

numa escala menor, mas para instrumentistas sim e para regentes orquestrais ainda mais – e que é diferente de regente de coral,
que é minha área de atuação.


Agora, pensando na parte de liderança artística e administrativa, existem outros desafios ainda maiores, como ser vista realmente como autoridade e como alguém que fala com propriedade sobre qualquer assunto que seja. Quando uma mulher está em uma posição de liderança, independente da área, eu ainda vejo que ela precisa de muito mais para convencer do que um homem, com argumentos mais aprofundados ou, ainda, que um homem corrobore com o que a mulher diz, infelizmente.


Eu me sinto muito respeitada tanto no Instituto Baccarelli quanto no Theatro Municipal nesse sentido. Mas, entendo que no meio musical a mulher ainda está numa posição de ser muito assediada. É muito sério o fato de as escolhas das mulheres darem
a entender às pessoas que esse espaço pode ser invadido com opiniões sobre a roupa que vestem, sobre a fala e sobre os gestos. Enquanto que as escolhas de um homem jamais são questionadas ou comentadas. Ou seja, é difícil demais ser mulher.


No mês da mulher eu desejo que essa data não tivesse que existir. Eu gostaria que as pessoas entendessem que nós não somos passageiras, que nós ocupamos e conquistamos esses espaços. Então, quem escolhesse celebrar a data, não fizesse disso
um evento pontual, mas sim algo natural e diário como é, de fato, mas que o espaço e a luz para isso também fosse."

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Daniela Correia
Coordenadora do acervo
musical do Instituto Baccarelli

Aluna da primeira turma formada por Silvio Baccarelli, Daniela Correia ama todos os ritmos musicais e afirma ter aprendido
a entender e sentir cada um deles – principalmente, as músicas eruditas – com o Instituto Baccarelli. Coordenadora do acervo musical da instituição, tem 38 anos, é formada em biblioteconomia e está concluindo mestrado na USP na mesma área,
com foco em ciência da informação. Daniela tem muitos sonhos e todos eles sempre dentro do universo musical e cultural.

“Eu fiz parte dos 36 alunos que foram chamados para a primeira turma do Instituto Baccarelli. Sou moradora de Heliópolis desde que nasci, com toda a minha família sendo natural do Piauí. Antes de começar no instituto, meu único e principal contato com a música era o forró e os instrumentos como triângulo, zabumba e sanfona, que eram tocados por meus familiares. Somente com as aulas que fui conhecer outros ritmos, principalmente a música erudita, além de aprender a tocar violino. Participei da Orquestra durante 15 anos como violinista, que só foi possível graças a bolsa que é essencial até hoje para que todos os alunos consigam se dedicar aos estudos.


Em 2011, precisei sair da Orquestra por problemas pessoais e acabei não retornando ao corpo musical. Fui, então, convidada a fazer parte do Instituto Baccarelli como colaborada. No primeiro ano, fui assistente de secretaria, mas logo mudei para
o acervo musical por conta dos meus conhecimentos musicais. A partir de então passei por assistente da área, seguindo para coordenadora adjunta, até chegar
no cargo atual de coordenadora.

 

"No mês da mulher, eu não consigo pensar em outro desejo que não seja respeito. É impossível pensar além disso, quando as taxas de feminicídio estão abusivas, quando os cargos e salários no mercado continuam sendo desiguais e quando ainda existe muito perigo por simplesmente ser mulher."

Escolhi minha área de formação voltada para o acervo e me sinto muito feliz de ser uma aluna fundadora que hoje ajuda a seguir
a história do Instituto Baccarelli. Colaborar com todas as organizações de instrumentos e partituras e suas manutenções é o que amo fazer, além de poder colaborar com o crescimento do trabalho da instituição.

Como mulher, é importante ver como pude crescer para além da área musical, mas como profissional. O Instituto Baccarelli me deu
a oportunidade de entender que eu posso escolher minha área e me desenvolver nela. Em um mundo machista, sexista e misógino,
eu me sinto grata por saber das dificuldades que mulheres enfrentam e, ainda assim, ter conseguido galgar um crescimento profissional por meio da arte e da cultura.


Espero deixar minha marca e/ou legado no Instituto. Chegar a um cargo de coordenação traz uma caminhada com uma grande carga de preconceitos não só por ser mulher, mas por ser de origem humilde e moradora de uma das maiores favelas de São Paulo. Então, eu posso dizer que na área profissional da minha vida, eu sou uma mulher que tem conseguido vencer.


No mês da mulher, eu não consigo pensar em outro desejo que não seja respeito. É impossível pensar além disso, quando as taxas
de feminicídio estão abusivas, quando os cargos e salários no mercado continuam sendo desiguais e quando ainda existe muito perigo por simplesmente ser mulher. Nós já carregamos uma carga muito pesada de anos de luta, então nossa busca por mais espaço seja na área profissional ou acadêmica tem muito valor. Eu desejo respeito para que possamos ser e ter direitos iguais, principalmente, no meio musical onde os números de mulheres são consideravelmente inferiores aos de homens."

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Maryana
Cavalcanti
Professora de percussão coletiva no Instituto Baccarelli

Maryana Cavalcanti tem forte e antiga ligação com o Instituto Baccarelli quando o assunto é vida musical. Iniciou esta história aos 11 anos, quando entrou na instituição, e, mais tarde, aos 14 anos, seguiu para os estudos de percussão com aulas de bateria e logo passou a fazer parte da classe de percussão orquestral.


Aos 30 anos de idade, Maryana é pós-graduada em percussão, faz parte de um trio de percussionistas criado com amigos que fez no Instituto e é professora de percussão coletiva da instituição e das Fábricas de Cultura, onde também divide a regência
da Banda Sinfônica. 

"Ser mulher por si só já não é uma tarefa fácil em uma sociedade que coloca as mulheres inferiores e homens como beneficiados. "

“Foram alguns anos de estudo até ingressar na primeira orquestra que hoje chamamos de Juvenil Heliópolis. Em 2010, tive a oportunidade de entrar para a Sinfônica Heliópolis e participar da primeira turnê internacional,
na qual conhecemos a Alemanha, Holanda e Inglaterra. Uma experiência extremamente enriquecedora e afetivamente forte para mim e para meus colegas na época.

Aos 20 anos já tinha entendido que meu caminho era na música, não somente como intérprete musical, mas também como professora.

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Ingressei na faculdade e escolhi o curso de licenciatura em música. A partir daí muitas coisas mudaram na minha cabeça e passei a me dedicar a didática musical, sem nunca deixar o lado técnico da percussão.
Uma coisa puxou a outra e fui convidada a iniciar turmas de percussão coletiva no Instituto Baccarelli, que trouxe um processo muito interessante, difícil e gostoso de se fazer.

Desde então, dou aulas no instituto e ampliei o lado educadora, passando a dar aula também nas Fábricas

de Cultura, dividindo a regência da Banda Sinfônica – que só foi possível pela experiência adquirida no Baccarelli. 

Ser mulher por si só já não é uma tarefa fácil em uma sociedade que coloca
as mulheres inferiores e homens como beneficiados. Nós temos que provar frequentemente que somos capazes de fazer coisas e que merecemos
ser respeitadas.

Na música e na percussão não é diferente. Por ser um meio de maioria masculina, sinto que sempre precisamos provar algo que os homens não precisam provar.
O machismo existente é sutil e potente.

Eu pretendo continuar abrindo esse caminho para que mais meninas, que almejam ser da área musical e, principalmente, da percussão, possam ter essa possibilidade, com menos dificuldades ainda para viver do que amam fazer.


Por isso, no mês da mulher, eu desejo liberdade, coragem, respeito – e se quiser pode me dar um chocolate junto com tudo isso."

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